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Aurorar 4.0

Com sentimento, no ideário virtual de um percurso real.

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Com sentimento, no ideário virtual de um percurso real.

[Em pouco tempo, ou não…] I – O Espantalho

     

(Reposição)

 

 

 

   O Espantalho

 

     Ninguém preza e/ou ama o espantalho, o espanta-pardais. Ele cumpre a sua função, sem vida, e nada mais. Sem vida?

 

     No tempo da solidão, sou só eu. Grande, maior, e forte e pequeno, menor, e fraco. Posso ser a poesia, antiga ou reinventada. Posso escrever, e leio, estórias e outras histórias. Posso ficcionar, viajar e ser genuíno, sem deixar de ser. Posso espelhar ou absorver a realidade. Mas a realidade parece depender do ponto de vista, da perspectiva. Seria muito mais fácil e muito mais simples se a realidade se apresentasse sempre como é. A realidade deveria ser e mais nada.

 

     Admiro os palhaços! Por vezes sinto-me um ou como um palhaço, tenho que mostrar e demonstrar felicidade e só na solidão posso ser Eu. Não que me mascare, no tempo que sobeja para o convívio, e, embora goste de brincar e das palhaçadas, apenas tenho que sorrir e ajudar os outros a sorrir para viver bem em sociedade. Porque, poucos gostam da conversa pura, sem melindres e a escrita não completa, nem contém, a expressividade do rosto, a riqueza do, ou de um, olhar. Mas não sigo o rebanho, nem fico preso à estaca. Não me agremio num conjunto de acções dos Espantalhos e suas consequências, só porque é moda.

 

     Ainda que num gesto que me garante a reprovação dos meus pares, de braços abertos vos recebo, preservem-me a dignidade. Não me furtem o recheio, nem insistam na tentativa de me rechear com o que bem entendem, se bem me entendem.

     

     Que importa o nome ou a etiqueta?

  

 

De passagem

 

     O rosto. Um rosto familiar, latente, numa expressão que não consigo descrever. Consegui vislumbrar todo um vulto cansado no reflexo, enquanto lavava as mãos de uma parte do dia.

 

     De seguida, já só com imagens alheias, passou perto a vulgaridade de um despacho distraído, pairou no ar saturado de odores de iguarias e, por fim, desvaneceu-se pela chegada de outro motivo de meditação. Consegui sintetizar a minha observação. Anotei uma deslocação apressada num sentimento expresso e aclarei alguns sentidos enquanto me deslocava. Próximo, um pardal ardiloso procurava o sustento, para si e para os seus, que não se encontravam muito distantes. A ousadia, o sentido de oportunidade, o sentido prático numa cena tão ingénua e tão calculada.

 

     Dilui-me na passagem.

 

Metáfora

 

     Encontro-me a matar o tempo. Um curto-circuito num desabafo. As metáforas são um terreno fértil, por parte dos receptores e/ou dos emissores, na origem e/ou no destino, para a crítica jocosa, para o escárnio, para mal-entendidos. No entando, gosto das metáforas. Gosto da sua astúcia e subtileza. Preocupa-me quando procede de um aprisionado, de um censurado, de um amordaçado.

 

     Não interessa se em letras de ouro ou por pessoas de letras grossas, entendo quem não compreende uma metáfora, assim como, entendo quem interpreta uma [metáfora] literalmente. A minha tolerância é uma enorme planície, com algumas, pequenas, elevações e, pequeno, depressões, é certo. Há dias mais amargos.

 

Instantâneo diferido

 

Momentos. Revejo alguns negativos, tiras antigas de filme fotográfico, revelados mas não divulgados. As suas manchas ganham vida no meu cérebro, e crescem lembranças, momentos, histórias. A profundidade de campo, por vezes diminuta, revela novos incidentes ou confirma a profundidade e a elevação das recordações.

 

Os pequenos espelhos transformam alguns retalhos de vida. Nivelam a sua importância para uma zona mais neutra e diluem-se numa diferença de cor e na presença da imobilidade. Outras fracções de existência, vistas por este prisma, agigantam-se ou diminuem.

 

Crescem e afrouxam sorrisos; desaparecem, ou despontam, embaraços, vergonhas. Memórias.

 

No fundo, revejo alguns positivos.

 

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