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Aurorar 4.0

Com sentimento, no ideário virtual de um percurso real.

Aurorar 4.0

Com sentimento, no ideário virtual de um percurso real.

Instantâneo diferido

 

Momentos. Revejo alguns negativos, tiras antigas de filme fotográfico, revelados mas não divulgados. As suas manchas ganham vida no meu cérebro, e crescem lembranças, momentos, histórias. A profundidade de campo, por vezes diminuta, revela novos incidentes ou confirma a profundidade e a elevação das recordações.

 

Os pequenos espelhos transformam alguns retalhos de vida. Nivelam a sua importância para uma zona mais neutra e diluem-se numa diferença de cor e na presença da imobilidade. Outras fracções de existência, vistas por este prisma, agigantam-se ou diminuem.

 

Crescem e afrouxam sorrisos; desaparecem, ou despontam, embaraços, vergonhas. Memórias.

 

No fundo, revejo alguns positivos.

 

Em modo de observação

 

Uma mulher puxa, sem violência, uma criança pela mão, não porque esta, criança, não consiga acompanha-la, creio eu, mas, porque deixa para trás outros interesses ou outras vontades. Muitas vezes somos arrastados, ou deixamo-nos levar, ou queremos ser puxados: com alternativa, ou sem opção, ou alheados; por bondade, ou por poder, ou por distracção; por pessoas, ou por circunstâncias, ou pelo tempo, ou por vontades.

 

Os cenários e as variáveis desses percursos podem complicar-se, multiplicar-se por diversas combinações. Não me apetece dissecar as idas na enxurrada ou contra a corrente, deixo o tema numa gaveta próxima. Quero absorver as cores, os movimentos, os odores, as sensações. Contemplação.

 

Mais crianças seguem de mãos dadas, felizes, indiferentes ou contrariadas; em duetos ou em grupos. Por outro lado, por outros motivos, também há pares de jovens e/ou adultos que circulam de mãos dadas, possivelmente, por vontade de materializar a união; um simbolismo da caminhada conjunta, una, indivisível, de um só sentido; um estado de fusão. Indivíduos unidos sem distinção de género, raça e credo.

 

É um ponto de partida e/ou de chegada.

 

Haja paz!

 

Dia-a-Dia

 
 
O jantar correu bem. Riram e brincaram sem discussão.
Beberam e conversaram como já não se recordavam de o fazer.
Não conteve a sua alegria e nem pensou que fosse ilusão.
Trocaram carícias e mimos deleitosos e de enternecer.
Olharam-se nos olhos longamente, sem fuga e sem temor,
E o tempo passou por eles, sereno, gentil e sem torpor.
 
A cozinha ficou por arrumar. Decidiram ir para o quarto.
Esperou. Preparou o seu corpo e a cama para a receber.
Rogou e desejou por uma noite de amor demorado e farto,
Ansiava pelo reencontro dos dois corpos sem temer.
Ela chegou. Esgueirou-se para a cama sem falha,
Esticou-se e pousou nos lençóis como numa mortalha.
 
Tentou afaga-la, um abraço. Tocar-lhe, já sem fantasia e almejo.
Ela disse mais nada querer. Virou costas e dormiu.
Ele sentiu-se afeminado, por sentir a frustração do desejo,
Por ter sonhado, por amar e sentir tudo o que sentiu.
Foi para a mansarda ver as estrelas naquela noite fria
E sentir o aroma de esperança de um novo rumo no novo dia.
 
Será de homem sair de casa e procurar outros braços?
Não. Ele não julgou ser coisa de mulher aguardar e sofrer,
Na esperança de um amanhã repleto de beijos sem embaraços.
Agarrou-se às memórias do último jantar sem adormecer.
Há quanto tempo aguardava por momentos assim de felicidade?
Quanto tempo vai ter que aguardar por outra oportunidade?
 
Cansado, recebeu a nova aurora como um paliativo para a amargura,
Para as incertezas e questões agigantadas como castelos altaneiros.
O trabalho irá mantê-lo longe, ocupado de forma segura,
Sem os fantasmas da solidão. Não tem amigos, nem conselheiros.
Na verdade, sabe que se fechou e sente que não tem ninguém.
Na verdade, não sabe se tem amor, se ainda o sente por alguém.
 
 

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