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Aurorar 4.0

Com sentimento, no ideário virtual de um percurso real.

Aurorar 4.0

Com sentimento, no ideário virtual de um percurso real.

A feliz chaga

 

 

 

 

         

A feliz chaga

       

Sou um nada que incomoda!

Sou o um que não conta,

O zero que desconta,

Que escreve fora de moda.

     

Sou um quadrado que roda,

Um assustado que amedronta,

Um pacato que afronta

E se enrola mais que denoda.

        

Mas, é esse o meu préstimo, se existo:

Ser, mesmo que não o seja!

Sê-lo antes que parece-lo, benquisto!

       

Brota a vontade que me deseja,

E já que sou e não desisto,

Sou da vida, aquele que a festeja!

        

         

Novembro de 2007

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rótulo de perdão

 

 

  

Rótulo de perdão

  

A etiqueta, da tua classificação,

Que disparas e colas, arrelia

E, outras vezes, cativa e delicia.

Leva e dá, alimenta e mata a confusão.

  

A arbitraria e desejada formatação,

Arvorada pela tua rebeldia,

Não passa de uma fantasia,

De personagem mimada, e frustração.

  

Não destruíste nada, construíste!

Compuseste o meu crescimento.

Não te cales, nem fiques triste.

  

Podemos, juntos, olhar para o firmamento

Com a alegria de quem, sem rancor, assiste,

Livre de amargura, vergonha e fingimento.

 

 

 

07 de Novembro de 2007

 

 

 

 

 

 

 

 

Dia-a-Dia

 
 
O jantar correu bem. Riram e brincaram sem discussão.
Beberam e conversaram como já não se recordavam de o fazer.
Não conteve a sua alegria e nem pensou que fosse ilusão.
Trocaram carícias e mimos deleitosos e de enternecer.
Olharam-se nos olhos longamente, sem fuga e sem temor,
E o tempo passou por eles, sereno, gentil e sem torpor.
 
A cozinha ficou por arrumar. Decidiram ir para o quarto.
Esperou. Preparou o seu corpo e a cama para a receber.
Rogou e desejou por uma noite de amor demorado e farto,
Ansiava pelo reencontro dos dois corpos sem temer.
Ela chegou. Esgueirou-se para a cama sem falha,
Esticou-se e pousou nos lençóis como numa mortalha.
 
Tentou afaga-la, um abraço. Tocar-lhe, já sem fantasia e almejo.
Ela disse mais nada querer. Virou costas e dormiu.
Ele sentiu-se afeminado, por sentir a frustração do desejo,
Por ter sonhado, por amar e sentir tudo o que sentiu.
Foi para a mansarda ver as estrelas naquela noite fria
E sentir o aroma de esperança de um novo rumo no novo dia.
 
Será de homem sair de casa e procurar outros braços?
Não. Ele não julgou ser coisa de mulher aguardar e sofrer,
Na esperança de um amanhã repleto de beijos sem embaraços.
Agarrou-se às memórias do último jantar sem adormecer.
Há quanto tempo aguardava por momentos assim de felicidade?
Quanto tempo vai ter que aguardar por outra oportunidade?
 
Cansado, recebeu a nova aurora como um paliativo para a amargura,
Para as incertezas e questões agigantadas como castelos altaneiros.
O trabalho irá mantê-lo longe, ocupado de forma segura,
Sem os fantasmas da solidão. Não tem amigos, nem conselheiros.
Na verdade, sabe que se fechou e sente que não tem ninguém.
Na verdade, não sabe se tem amor, se ainda o sente por alguém.
 
 

Do antigo e eterno amor, o maior e o menor

 
De entre os bons presentes o amor é, talvez, o maior.
É possível que a nossa vida gire em torno do amor e não vemos.
O amor não é posse… É tudo que temos e não temos.
O amor à vida, para com os outros… O gratuito e que damos de cor.
 
E o avassalador sentimento de querer alguém em pormenor?
Esse amor edificador que põem em causa tudo aquilo em que cremos,
Aquele que nos une e nos separa, que alimenta mesmo quando não comemos.
Esse que desponta em silêncio e naturalmente, talvez, o amor mor.
 
Não falo da ilusão, do deslumbramento ou da paixão.
Falo do querer comprometido e descomprometido ao mesmo tempo,
Que damos, livremente, em juízo e sem esclarecida razão.
 
Onde pairas vontade? Aquela que atribuímos ao coração.
O que te comanda e controla? O que te dá alento?
Quero sentir-te de novo, sem temor e com sofreguidão.
 
 

Pai

 

 

Bom dia pai! Faz muito tempo que não te escrevia.
Foi difícil viver os dias seguintes à tua morte.
Mais difícil foi ver a mãe confrontada com a sua sorte,
O companheiro muito amado e a sua vida que para sempre partia…

 

Continuas a ser o meu único e verdadeiro ídolo. Nunca te disse.
Quase catorze anos depois, aqui estou em frente ao computador,
Desta vez para te escrever e te confessar o meu amor.
Já era homem, mas ainda apreciava os carinhos da meninice.

 

Tantos anos depois e ainda sinto a tua falta. A vida ficou diferente.
Deixei de escrever. Perdi, até, as centenas de folhas manuscritas,
Os guardanapos, os pedacinhos de papel, com venturas e desditas.
Não entendo porque, mas acho que por uns tempos deixei de ser gente.
 

 

Bem sei que a vida continua. Continuou e há-de continuar, por fim.
Meu querido e bom pai, saudades sim, eu sinto.
O tempo apaziguou a dor da perda e não minto,
Sossegou a revolta, até para com o divino que cultivava em mim.

 

A vida é composta por uma sucessão de acidentes. O teu último, aquele,
Deixou também nos avós, teus pais que já partiram também,
O acre de sobreviver a um filho, mas que esperaram encontrar além.
E nessa certeza padeceram serenos e faleceram a espera dele.

 

Até sempre. Voltarei a escrever com certeza.
Fez-me bem este momento, este gesto espontâneo,
Que sem necessidade reprimia, humilde e em pobreza.

 

 

Escrito e editado originalmente no blogue "Aurorar 3.1" (blogues do Sol), a 27 de Dezembro de 2006.

 

 

 

 

 

 

 

Não renego a felicidade

 

 

 

Quando partes para esse teu mundo de fantasia
Esperas que eu fique aqui e aguarde tranquilo,
Esperas que eu trabalhe e faça isto e aquilo.
Despedes-te com um sorriso e uma qualquer ironia.

O teu olhar é cruel, gélido, e cega a minha alegria.
Refugio-me no silêncio e pensas ser tu a urdi-lo.
As horas passam e passam os dias e nós nesse silo,
Presos nessa violência invisível, na raiva da tua tirania.

Quando voltares dessa tua viagem alucinada
Esperas que eu esteja aqui de braços abertos,
Esperas que te abrace e não te diga nada.

Agrides-me e tens os meus carinhos por certos.
Eu estou cansado da vida escusa e amargurada,
Os meus sentidos doridos estão despertos.



Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2006.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Insónia e bulício

 

  

  

  

Há mais de quatro luas que não durmo bem.
Como posso eu dormir descansado se o coração não repousa?
Bate louco como se corresse perigo, eu ou alguém.
  
Jaz em mim a vontade de correr e fugir mundo fora.
Estou só, tão tristemente só e só triste.
Onde estás alegria? Vida de paz porque partiste?
Ai vontade e força… foram, sem pena, embora.
  
Erguer a cabeça e respirar fundo. É inútil a preocupação.
Já fiquei assim outras vezes e nada consegui resolver.
O que for será. Nunca descobrirei antes e em razão.
  
Nunca conseguirei perceber estes estados de ser deprimido,
Repletos de angústia e de premunições. Ora vão, ora vem.
Não se fazem anunciados. São de todos e são de ninguém.
São a loucura próxima de um estranho e completo perdido.
  
Os demónios de um futuro? Para o abismo com tudo isto.
Alegria, liberdade revigorante, são a paz, o tónico para a manhã.
Seja como for, é para a vida e pela vida que eu existo.
   
  
6, 7, 18 e 19 de Dezembro de 2006

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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